Que susto!

     Eu estava lendo agora a entrevista da esposa do Wil, que teve uma lesão medular devido um acidente de moto (http://migre.me/AxwS). Ela falava um pouco de como é a vida deles. E aí tem um trecho em que ela comenta, “Às vezes penso que se ele levantasse e andasse o povo assustaria menos, acho que pra essas pessoas um Allen chamaria menos atenção”.
    Eu lembrei que um dia a gente estava em Miami, no aeroporto e, como tinha que andar muito, meu pai solicitou uma cadeira de rodas. Lá tem que ficar alguém do aeroporto empurrando a cadeira. A mulher era completamente paranóica, andava super devagar, me segurando e o pessoal mal podia falar comigo, era um saco! Paramos em um lugar para esperar a hora do embarque, então a tia Marina olhou para mim e falou: "Carol sai andando!"  E eu saí andando! Essa mulher tomou um susto, foi correndo atrás de mim, mandando voltar para cadeira de rodas. 
Rimos muito, foi ótimo!
Até mais,
bjo,
Carol

Nem tudo é culpa do nosso problema!

Meu namorado falou hoje que não está gostando dos meus textos no blog. Porque ele acredita que eu estou colocando a culpa de tudo que acontece comigo no meu problema físico, deu exemplo da minha dificuldade de arrumar emprego; que quase todas as minhas amigas estão na mesma situação que eu, desempregadas. Realmente, as que estão trabalhando são em outros ramos.     
Acho que nem tudo que acontece comigo é porque sou portadora de necessidades especiais, e sim porque ocorre com tudo mundo. Eu luto para conquistar o meu espaço, como qualquer um que tem algum objetivo na vida!  
Não quero me fazer de coitada, ate porque não sou! Não quero ser! Com já disse aqui, o meu problema físico é uma característica minha!

Sou feliz com a minha vida!

Felipe te amo.

Até mais,
bjo,
Carol

Excepcional, não!

Outro dia eu ouvi o termo Excepcional, e foi dirigido a mim. Me soou mal, na hora tive que interromper o que estava fazendo. Fiquei pensando como é fácil apontar o dedo para a ferida do outro e deixar a sua escondidinha.        
Excepcional é uma palavra que eu uso para algo muito especial, maravilhoso. Mas quando ouço o termo Excepcional para se referir ao meu problema ou de qualquer outra pessoa, não me sinto bem, parece que quer me limitar, com se não pudesse seguir a minha vida de uma forma comum.
Eu não sou excepcional. Eu sou portadora de necessidades especiais. Esse sim é termo que se usa atualmente, e eu adoro. Porque ele não diz nada sobre mim, fala apenas que preciso de auxílio de outra pessoa para fazer certas atividades. 
Espero que as pessoas se reciclem:  Excepcional é passado!
Até mais,
bjo,
Carol

Aos poucos as pessoas vão se conscientizando

Como novela tem o poder de atingir as pessoas, ela consegue falar com todas as camadas sociais. Por causa da novela, Viver a Vida, as pessoas estão percebendo que quem é portador de necessidades especiais também tem uma vida comum, as necessidades são as mesmas, rir, chorar, comer, beber se divertir, ter amigos, amar, ser amado e tudo mais.
 Ainda bem que as cabeças estão mudando. Eu vejo isso, pois quando nasci eu era única da cidade (Feira De Santana, Bahia) que ia à clinica. A fisioterapeuta falava para minha mãe que as famílias deixavam a pessoa que era portadora de necessidades especiais em casa, porque tinham vergonha. Eu cresci indo para rua, normalmente, e notava que as pessoas paravam para me olhar. A gente já brigou muito por isso!
Hoje acredito que população já está um pouco mais consciente de que existe gente com necessidades especiais, no entanto falta muito ainda. Bem ou mal as mídias, com a novela Viver a Vida, e agora com o comercial do dia das mães, que tem uma cadeirante com seus filhos, estão ajudando a mostrar que podemos ter, como qualquer outra pessoa, uma vida comum!
Até mais,
bjo,
Carol

Folha de São Paulo

Estou agora lendo, na Folha de São Paulo, a matéria especial sobre trabalho e 'malacabados', está muito boa. Eles escreveram tudo o que eu sinto e vejo em relação ao mercado de trabalho para portador de necessidades especiais. As vagas são qualificação baixa e está e não à procura real por um profissional capacitado.
As empresas não estão interessadas na inclusão ou até mesmo em profissional capacitado para trazer lucro. A preocupação delas é apenas para não pagar multa.
 As pessoas estão começando a perceber, porém pouco ainda, que o portador de necessidades especiais é capaz de ter uma vida comum. Podemos sim, estudar, ter uma profissão e trabalhar. É muito bom ler uma matéria dessa!
Até mais,
bjo,
Carol

Abrindo caminho

Estava pensando, eu fico irritada com a dificuldade que estou para arrumar um emprego. Saco, todo mundo arranja e eu não.
 No entanto quando leio historias de pessoas com o mesmo problema que eu e então paro para refletir.
 A minha irritação é porque esqueço que sou portadora de necessidades especiais. Por isso os obstáculos são bem mais altos, e já conseguir ultrapassar vários. E agora estou com esse obstáculo que me parece o mais difícil. Mas tenho certeza que vou passar por ele também.
Acho que sou uma das pessoas que luta, agora por um emprego, e está tentando abrir o caminho para as outras pessoas com o mesmo problema. Espero que consiga deixar o caminho com menos buraco!
Até mais,
bjo,
Carol

Transformação

    Acabei de ouvir esta frase: “Não se abata com a morte da 
lagarta, pois nasce uma linda borboleta”.

    Adorei!

Até mais,
bjo,
Carol

Terra Do Nunca

Eu vi uma fotografia de uma imagem, que me chamou atenção. Era bonita a imagem, mas não tinha vida. Na foto apareciam umas rochas, atrás delas, eu imaginei um lindo mar, o dia estava nublado e frio. Não havia ninguém ali naquele lugar.
Por alguns segundos eu me vi sentada nas rochas, com o vento no meu rosto, estava totalmente livre. Aquele mar imenso, sem fim, eu podia nadar o quanto for nunca ia chagar fim dele. Estava na Terra Do Nunca, fazia tudo com o meu corpo, corria, pulava, nadava, brincava com a areia, porém não falava, pois estava sozinha. Isso me deixou angustiada, porque apensar de ter liberdade de fazer tudo que não posso, eu me encontrava solitário, sem outro.
Amei quando retornei para minha vida real e vi que estava mais sozinha. Voltei a sentir que amo e sou amada, pelos meus amigos, pelo meu namorado e pela minha família.
Adeus Terra Do Nunca!
Até mais,
bjo,
Carol

A professora cega foi aprovada em 1º lugar

     Li algumas reportagens sobre a professora cega foi aprovada em 1º lugar para concurso de professor em Campo Grande (MS), e o prefeitura vetou a nomeação. Achei um absurdo, mas infelizmente situações assim acontecem. Eu já sentir isso na pele.
Fui proibida algumas vezes de atender na faculdade, o argumento do prefeito é semelhante ao da diretora e da professora das faculdades; o prefeito justificou com a seguinte pergunta você colocaria sua filha de 0 a 4 anos uma pessoa com deficiência visual cuidar"?  Ouvi, que eu ia assustar a criança, então eu tinha que fica escondida na sala de espelho.  Sofri muito, como sempre contei com a minha família e amigos.  Claro que a professora está sofrendo também.
Continuei a faculdade, com força e determinação. Meu desejo  dentro da faculdade era atender uma criança, pois queria provar para mim mesmo que era capaz! Foi então no ultimo ano, atendi uma criança de 7 anos, sozinha, durante 6 messes.  Não sei se essa professora consegue administrar sozinha uma sala com crianças de 0 a 4 anos, pois quem sabe dos limites dela é ela própria.
Uma coisa é certa, por que as vagas de professora de 0 a 4 anos, foram abertas para portadores de necessidades especiais?

Até mais,
bjo,
Carol

Pista de ônibus

Eu tenho aula toda terça-feira e quinta-feira às 19 horas, lá na PUC da consolação. É um inferno o transito, levo mais o menos 1 hora e meia para chegar. Isso é comum aqui em São Paulo, mas não é normal. Estressa qualquer um!

Ontem eu e minha mãe paradas na consolação, eu olhei para a pista de ônibus e falei: mãe, deficiente físico deveria poder utilizar a pista, uma vez que os ônibus e as calçadas da cidade não ainda totalmente planejadas para o deficiente físico. Minha mãe adorou a ideia. O deficiente físico não tem escolha, ou usa carro, ou fica no sacrifício para pegar um ônibus. Eu estou com essa ideia, porque ouço muitas pessoas falando; ah, vou de ônibus, porque é mais rápido!

Meu pai e Gustavo foram me pegar, então eu cometei a minha idéia, toda feliz, mas fui reprovada, eles não se convenceram do porquê que o deficiente físico tem que usar a pista de ônibus.

Não custa tentar!

Até mais,

bjo,

Carol

Minha avó


Minha avó ficava muito atacada quando eu e meu irmão pegávamos seus materiais de costura. O ataque aumentou quando minha tia e seus filhos foram morar lá. Aí, éramos três: eu, meu irmão e meu primo, Mateus. Nessa época, já não morávamos lá, mas meus pais lá nos deixavam, na sexta-feira, à noite, quando saíam para se divertir. Fiquei muito amiga de meu primo e, juntos, deixávamos minha avó louca. Nós decidíamos que não íamos dormir, para poder brincar mais e ela, então, inventava que ia chamar a polícia, ou que o vizinho ia nos pegar. Detalhe: esse vizinho era um sujeito muito esquisito, ninguém gostava dele e ele fazia por merecer: não gostava de nada, fosse barulho ou gente. Morava só com a mulher. Quando minha avó dizia que ele vinha nos pegar, eu ficava em pânico, mas não parava de bagunçar ou, ainda, começava a chorar, pedindo-lhe para não chamar o vizinho nem a polícia. Avó também sabe ser ruim.

A

Contam histórias, levam para passear, brincam de cozinhar.

Fazem da vida um caça ao tesouro.

Dão carinho, cuidam, amam.

Colo igual aos seus não há.

Adoram ensinar coisas que ninguém mais tem paciência de explicar.

Suas casas cheiram a bolo, biscoito, pastéis.

Em cada canto, uma fantasia. É pura alegria.

Casa de vó é casa de boneca.

Pessoas iguais a elas não existem.

Vós são lindas.

Elas sabem viver.


Até mais,

bjo,

Carol

Domingo à noite

Estava ontem à noite eu, Mari, Luisa e a Laís na sala. Eu e Mari assistindo a reportagem sobre a sexualidade de deficientes no fantástico. Quando o psicólogo Fabiano, que é cadeirante começou a falar, a Luisa (13 anos) parou na hora de brincar com a Laís, e disse: olha, olha Carol!
Na hora eu olhei para Mari e demos risada.
Luisa deve ter pensando, que legal ele também deficiente e também é psicólogo!
Vou perguntar depois o que ela pensou!
Até mais,
bjo,
Carol

A espera de um milagre

Eu ontem vi no twitter que o Globo Repórter era sobre células-tronco. Entrei no blog da pessoa para ler, achei muito bom o que ele escreveu. Ele falou exatamente o que a gente ouve no dia seguinte, de um programa deste, ou diariamente, o porquê que não fazemos o tal tratamento ou então que um dia a nossa hora vai chegar!

O pessoal parece que fica mais incomodado com o nosso problema, do que nós mesmos. Eu sei que eles só querem ajudar, mas tenho a sensação que eles não me aceitam como eu sou!

Até a medicina encontrar um tratamento para que eu diminua os meus limites ao Máximo, a cura, eu e todos que me cercam têm que aprender a conviver com eles.

Por enquanto acho que é milagre. Não posso viver sonhando com um milagre, se não minha vida parar, mas o relógio não!

Bom final de semana!

Até mais,

bjo,

Carol

Ah! Felicidade...

Ser feliz é saber viver com as pessoas que estão ao nosso lado

É correr atrás do nosso objetivo, sem medo.

É aceitar o que somos, sabendo que, a cada dia, temos algo a aprender.

É ver a vida da melhor maneira possível.

É acordar todos os dias com a certeza

de que

hoje

vai ser melhor do que

ontem.


Até mais,

bjo,

Carol

Vencedor

Hoje é um dia especial, pois é aniversario do gordinho (meu pai). Eu admiro-o como ser humano, como pessoa, como homem, como marido e como pai.

Ele vive para a linda família que construiu junto com a minha mãe, que casal!

Meu pai é um lutador e como lutador é vencedor.

Em relação à mim, ele é capaz de mover céu e terra, procurando me cercar por todos os lados, para que nada de ruim aconteça comigo, me dando força e mostrando que eu também tenho que ter muita força. Sempre acreditando no meu potencial, me fazendo terminar o ensino médio e ingressar em uma universidade. Só posso dizer:obrigada pai.

Meu pai é um herói.

Meu pai é o meu herói

Até mais,

bjo,

Carol

Desejo

Outro dia na minha aula o professor estava falando sobre a relação do ser humano com o desejo. A gente está sempre desejando algo que não temos ou que queremos mais, nunca estamos satisfeitos com o que temos, procuramos a todo instante coisas novas. Quando realizamos nossos desejos, ao invés de ficarmos felizes, ficamos com um vazio e vamos logo à busca de outro desejo.

Quando entrei na faculdade, eu sonhava com o dia em que iria me formar, como ia ser lindo, o melhor dia da minha vida, e foi! Mas neste mesmo dia eu senti um vazio, e agora? Como vai ser? Já realizei o meu desejo, ele agora morreu. Eu fiquei de luto, sem rumo, porque vivi cinco anos com esse desejo. Tive que ir a procura de outro desejo. Hoje o meu desejo é arrumar um emprego e terminar a minha pós-graduação.

É o desejo que move o ser humano!

Até mais,

bjo,

Carol

Alfabetização

O CA, série da alfabetização, foi um período em que todas as pessoas ao meu redor estavam com uma certa tensão sobre como seria o meu desempenho. Posso estar generalizando, mas é a lembrança que tenho. Eu, criança, não tinha tensão nenhuma e me saí muito bem nessa fase. Houve problemas, sim, com a parte física, com o ato mecânico da escrita, mas eu aprendi a ler e escrever como qualquer pessoa que tenha acesso a essa aprendizagem.

Meus pais, com indicação da escola, fizeram um quadro com algumas linhas e o alfabeto todo em pecinhas imantadas. Isso, com certeza, ajudou-me a pensar em como a escrita se processa, mas não sei se deu certo para o que eles pretendiam, que era o ato de escrever. Eles continuaram pensando em mais coisas, como, por exemplo, minha mãe e a professora segurarem minha mão no momento em que eu ia escrever. Minha mão, às vezes, ficava dura e minha mãe brigava comigo por isso, como se eu estivesse endurecendo de propósito.

Hoje, leio e escrevo com as dificuldades normais que cada livro, texto ou assunto requerem. Quanto ao aspecto motor, encontrei meus modos particulares de adaptação a essas atividades.

Até mais,

bjo,

Carol

Uma pequena adaptação

Eu sempre peço para a Mariana ler o meu blog, para ver os meus erros, pois quero escrever na velocidade que penso e ai acontecem alguns errinhos feios.

Conversa vai conversa vem, ela me perguntou se já contei como digito e que era interessante falar sobre.

A vida inteira meu pai correu atrás de adaptadores para eu usar melhor o computador. Então eu já tive de tudo: teclado enorme, separador de teclas (muito bom), diversos mouses, enfim conheço todos. Uns acho muito úteis e outros, dinheiro jogado fora. Meu pai queria uma coisa super, mega avançada, para que eu pudesse mexer o mais rápido possível, ele tentouuu!

Certo dia, meu irmão esqueceu-se de trocar o mouse dele pelo meu, que é mais devagar, e colocar o separador de teclas no teclado, e naquele momento não tinha ninguém para me ajudar. Tentei usar o mouse com a mão, não deu, porque a seta corria de um lado para outro, impossível! Olhei para o meu pé e pensei, será? Então botei o mouse no chão. E não é que deu certo! Eu ia muito mais rápido. Nunca mais usei o meu mouse adaptado. Com o tempo, mudamos de computador, descobri o teclado virtual. Então vi que eu escrevia muito mais rápido. Atualmente posso usar qualquer computador, é só colocar o mouse chão e pronto.

Meu pai se deu por satisfeito, viu que eu fazia tudo sem sacrifício.

E é assim, hoje eu faço pequenas adaptações, usando a minha criatividade, para eu fique o menos dependente.

Até mais,

bjo,

Carol

Aprendendo a viver com limites

   

Eu estou ultimamente lendo muitos blogs, todos eles são de pessoas que sofreram acidente e estão hoje em uma cadeira de rodas. Estou aprendendo com as experiências deles. Tem um blog em especial que eu leio todos os dias e me emociono, me anima e me identifico. Trata-se do blog de Flávia Cintra. Dentre tantas coisas que ela faz, uma delas me atrai muito, porque é o que penso que poderia fazer muito bem: trabalhar na consultoria que direciona pessoas com deficiência para o mercado de trabalho.

Parece-me que todos conseguiram, com o tempo, superar as barreiras que foram impostas de repete. Essas pessoas de um dia para outro tiveram que reaprender a viver com a nova realidade. O que antes era simples e possível de se fazer sozinho, hoje já não é tão simples assim e precisa, na maioria das vezes, do auxílio do outro. É uma tarefa difícil.

Nasci portadora de necessidade especial; desde então eu sei que sempre vou depender do outro para várias tarefas do dia-a-dia e que tenho de ir aos poucos conquistando o meu espaço. Meus pais me ensinaram muitas dessas coisas que hoje fazem parte de mim.

A minha diferença em relação aos que adquiriram uma limitação, é que eu não mudei a minha realidade. Desde que nasci, ela estava dada: como disse, necessitava da ajuda de outros, sempre. Mas, os que sofreram acidentes e adquiriram uma deficiência limitante, tiveram de mudar suas realidades. E isso é muito mais doloroso.

Admiro todas essas pessoas, a força, a garra e o amor pela vida.

Até mais,

bjo,

Carol

Inclusão


Inclusão é o termo que está na moda. Todo mundo fala sobre inclusão, mas será que todos sabem o que é isso? Será que é uma coisa fácil de fazer?
Eu vejo que muita gente pensa que inclusão é tratar todas as pessoas da mesma forma, igual. No entanto essa ideia está equivocada, pois não existe um ser humano igual ao outro, não podemos cozinhar o arroz da mesma forma que cozinhamos o feijão, cada um desses alimentos precisam ser preparado de um jeito, se não vai ficar horrível. Assim também acontece com as pessoas, cada uma tem uma necessidade. Uma criança precisa de ajuda para escrever, já a outra precisa de ajuda para resolver os problemas de matemática.
Não adianta a gente ficar falando que somos todos iguais, porque somos muito diferentes.
A inclusão é aceitar as diferenças, ajudar o outro no que ele necessita, pensar em ambiente em que todos possam usar e o mais importante fazer a integração, pois uma não vivemos sozinhos.
Até mais,
bjo,
Carol

Paixão à primeira vista


Logo que eu comecei a fazer tratamento, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, não paravam de chorar, chorava durante todas as sessões. Elas junto a minha mãe tentavam de tudo. Até que um dia minha fono teve uma brilhante ideia, me dá CHOCOLATE, então ela me deu Língua De Gato da Kopenhagen, que delicia! Nunca mais chorei

Foi paixão a primeira vista!

A paixão continua até hoje, nunca deixo de comer um depois do almoço. Não fico nenhum dia sem chocolate.

Até mais,

bjo,

Carol

Uma chance!

Eu estou há um ano e quatro meses formada, e ate agora não conseguir nenhum emprego. Tudo bem que a minha área é difícil, varias amigas também ainda não conseguiram emprego.

Mas para mim a situação é mais complicada, claro, pois além de ser Psicóloga, sou portadora de necessidade especial, Paralisia Cerebral, que carma! Coisas assim não é muito comum de vê, porém é possível, tanto é que estou aqui.

Ouço muita falar que eu deveria ter feito Direito, ai eu falo: é, mas agora é tarde, já sou apaixonada pela minha profissão.

Bom voltando ao assunto emprego, arrumar um emprego está complicado. Quando me para alguma entrevista é sempre cômico para não dizer trágico. Eu vou com aquela expectativa, no entanto ela logo vai embora. Porque logo no inicio da entrevista, eu percebo que o entrevistador não leu o meu currículo. Como foi na ultima entrevista em que fiz, o encontro durou mais ou menos 5 minutos, eram duas pessoas me entrevistando. Começou com elas falando que eu estava concorrendo a uma vaga de caixa, em seguida pediram para eu falar um pouco sobre mim, de cara falei que eu era Psicóloga, a expressão do rosto delas mudaram, tomaram um susto. Comentei também sobre as minhas limitações e meus objetivos profissionais. Então uma das entrevistadoras falou que até o fim da semana ia me ligar.

É claro que essa e todas as outras entrevistas em que fui chamada, foi porque as empresas precisavam de pessoas com necessidades especiais para completa a bendita conta. Eu vejo que as pessoas não têm menor cuidado, interesse de lê o currículo, para saber se a pessoa tem condição, saber o objetivo do candidato, enfim conhecer-lo um pouco antes de chama. mas as empresas só querem cumprir com a lei e fazem tudo errado.

Eu como Psicóloga aprendo muito nessas minhas entrevistas, percebi que tenho muito que fazer, um mercado muito grande no qual eu posso e devo trabalhar. Preciso apenas de uma chance.

Ah, o fim da semana já acabou faz tempo e ainda não me ligaram!

Até mais,

bjo,

Carol

Briga de criança

O início de minha vida escolar foi na escolinha do prédio onde eu morava e marcado por experiências nada pedagógicas. Pensando bem, até houve uma certa aprendizagem.

Eu tinha um coleguinha, de nome André, que adorava me bater sem motivo aparente, aliás, até hoje não sei o porquê de tanta bolacha (em São Paulo, eu teria de dizer porrada, mas como sou carioca...). Não lembro do que sentia e nem das cenas de violência. Minha mãe, minha avó, todos ainda lembram e falam desse bendito colega, mas eu o apaguei da memória. O que vou contar é fruto das histórias que me contam sobre essa época.

Um belo dia, meu irmão, que sabia de todas as histórias entre mim e esse garoto, resolveu dar-lhe uma lição. Pegou a chave da dispensa de limpeza do prédio e o trancou lá. Vale a pena lembrar que a escolinha era dentro do condomínio onde morávamos. A professora demorou para dar falta da criança que, quando foi libertada, estava aos berros. Sua mãe, que era amiga da minha, entendeu as razões de Gustavo e não ligou para o fato.

Mas foi somente depois de um outro episódio que André passou a me respeitar. Certo dia, em aula, estando distraído, travei meu braço em seu pescoço, dando-lhe um golpe mais conhecido como gravata. A professora permitiu até um certo momento, pois, como disse à minha mãe depois, ficou feliz com a minha atitude.

Pude então aprender a me defender e impor respeito.


Até mais,

bjo,

Carol

Mariana



Mariana foi a primeira boneca com que brinquei. E brinco até hoje. Para mim é como se fosse uma filha.

Copo de leite brotando da terra,

tem asas no pensamento.

Está sempre nas nuvens.

Nuvem como algodão doce.

Dócil que é.

Cheia de luz, Mariana agrega

Em pura harmonia.

Hoje é seu aniversário, está fazendo 18 anos. Quero que ela seja muito feliz! Aproveite bastante a vida e realize todos os seus sonhos. Estou torcendo por você! Tenho orgulho de ter você como irmã. Te amo!

Até mais,

bjo,

Carol

Eu acho que não sou anjo


Eu ontem estava lendo twitter de algumas pessoas, teve um que chamou a minha atenção. É de uma mãe que me parece que tem uma filha portadora de alguma necessidade especial. A mãe escreve em seu twitter a seguinte frase: “Para auxiliar os anjos do céu, Deus coloca aqui na terra anjos sem asas... porém ... de uma luz tão intensa que ilumina o nosso viver...” achei muito bonita a frase.

Mas eu por ser portadora de necessidade especial, acho que não sou um anjo por isso. Sou um ser humano como outro qualquer, tenho minhas qualidades e, é claro, meus defeitos. Iluminada, ah isso com certeza eu sou! Porque vim para uma família maravilhosa e estou cercada de pessoas LINDAS. Isso sim faz ser iluminada e especial.

Anjo para mim é a minha sobrinha, Laís, que tem sete meses, e ainda não tem maldade.

Até mais,

bjo,

Carol

" As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem". Chico Buarque
 
Carolina - Um sonho a mais não faz mal
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