Eu tenho que ser melhor

Eu aprendi a algum tempo, que tenho que ser melhor do que o outro e provar que posso. Quando chegava a uma escola nova ou até mesmo a faculdade, eu fazia questão de no inicio tirar notas altíssima, para mostrar não estou de brincadeira e nem que meus pais estão jogando dinheiro no lixo.

Têm milhares de pessoas que acreditam piamente que o deficiente físico é deficiente mental. Não sei qual a ligação que elas fazem. O pessoal que me conhece acha que é ignorância, falta de informação. Além disso, eu vejo também como uma defesa, pois é mais fácil falar apenas um “oi” para um deficiente mental e depois deixa essa pessoa de lado. Do que ter uma boa conversa com uma pessoa portadora de necessidade especial, e percebe que ela tem características semelhantes ou até mesmo têm potenciais que o outro queria ter e não tem. Tem gente que não aceita essa situação, então resolve ignorar o deficiente físico.

Eu me às vezes fico de saco cheio de ter que provar que sou capaz, de me esforçar para que eu possa sobressair no meio dos demais. Por outro lado isso me motiva a cada vez melhora, a ir à luta, buscar coisas novas, estudar, conversar com pessoas que me acrescente intelectualmente e emocionalmente.

Até mais,

bjo,

Carol

Ovo de páscoa


Há mais ou menos duas semanas atrás minha mãe resolveu fazer ovos, trufas, bombons, enfim chocolates para páscoa. Ela fez um curso, para aprender, pois ela nunca tinha feito isso antes. O forte dela sempre foi pratos salgados, como feijoada, rosbife, frutos do mar e outros. Mas minha mãe decidiu aproveitar a páscoa e começar o seu trabalho com chocolate. Ela chamou a minha avó para ajudá-la, a minha irmã Mariana também está dando a maior força.

No início do trabalho ovos quebraram, ovos derreteram, ovos não queriam sair da forma, estava tudo dando errado. Minha mãe queria desistir, estava nervosa, no entanto a nossa família não deixou, motivando-a, dando-lhe força. Graças a deus ela continuou, hoje está cheia de encomendas, todas as pessoas estão adorando os chocolates, todos os ovos estão dando certo. Agora minha mãe está no corre-corre, para entregar todos os pedidos.

Hoje minha casa é só chocolate!

Eu fico muito feliz, ela merece. Afinal a minha mãe deixou a vida dela de lado, para ficar comigo. O que depender de mim eu faço, para vê minha mãe ganhando seu próprio dinheiro.

Mãe assim como você torce por mim e pelos meus irmãos, eu torço por você.

Até mais,

bjo,

Carol

Apostando corrida

Eu, minha mãe, meu pai, minha avó, meus dois irmãos (dois, porque já havia nascido Mariana) e mais um casal com seus quatro filhos viajamos para os EUA. Foi uma viagem inesquecível.

No parque encantado, talvez a brincadeira mais emocionante tenha sido a que vou contar agora. Nada de splash, montanha russa ou castelo mal-assombrado. Legal mesmo era apostar corrida com o carrinho da minha irmã mais nova. Mas como assim?

Nós alugávamos uma cadeira de rodas para mim, então sempre uma das crianças empurrava minha cadeira pelo parque e uma outra empurrava o carrinho de minha irmã.

Um dia, enquanto os adultos estavam no restaurante, resolvemos apostar uma corrida básica. Quem estava empurrando minha cadeira era o mais velho da turma, de mais ou menos quinze anos. A velocidade já era muito alta, podia sentir o vento batendo no meu rosto. O chão era de pedrinhas e, no encontro com uma um pouco maior, a cadeira travou e eu fui. Para onde? Direto com o rosto no chão.

O rosto ficou simplesmente em carne viva. Foi horrível, mas foi engraçado. Fiquei duas semanas sem sair nas fotos, mas valeu a pena tudo que passamos.

Coisas para guardar na memória.

Brincar foi, para mim, fundamental porque eu pude vivenciar as mesmas coisas e sensações que as outras crianças. Apesar das diferenças eu também podia brincar, correr os mesmos riscos de me machucar, sem que isso fosse considerado um problema especial. E isso me fez sentir o gosto de ser simplesmente criança.

Crianças

Vivem num mundo de fantasia

Seus pais são sempre os heróis.

Outras pessoas são seus bonecos,

Fantoches,

Fadas,

bichos,

bruxas.

Seu mundo é um parque de diversão ou um castelo encantado que,

Um dia,

Se desfaz,

As luzes se apagam

E a criança se torna um adulto.

Ah, se todos os adultos fossem apenas crianças grandes!


Até mais,

bjo,

Carol

Começa a luta para a minha reabilitação

Com a orientação de alguns profissionais de que eu tinha de ser trabalhada vinte e quatro horas por dia, meus pais começaram junto à minha avó uma incansável luta a favor da minha reabilitação. Eram vários os exercícios, mas lembro-me mais de alguns especificamente.

Lembro-me de ficar trancada no banheiro, com um painel enorme cheio de lâmpadas coloridas que eram acesas uma a uma, acompanhadas de sons de diferentes intensidades. O objetivo era inibir o chamado Reflexo de Moro. Para quem não sabe, Reflexo de Moro é um movimento corporal intenso involuntário que acontece quando levamos um susto. Normalmente, todos os bebês têm esse reflexo que com o tempo vai diminuindo. Porém, no meu caso, levaria mais tempo para desaparecer, daí esse tratamento. A idéia era a da inibição do susto provocado pela lâmpada que se acendia acompanhada do som. Na época, deu resultado, no entanto, atualmente, tenho horror de levar sustos. E ainda tem gente que insiste nisso...

Penso que os médicos e as famílias não podem só pensar na perfeição do sujeito, mas sim no estabelecimento da interação com ele. O que quero dizer com isso é que é necessário se perceber o momento de parar com as atividades e fazer outras coisas, como brincar, por exemplo, porque apesar da patologia estamos em contato com uma criança. O brincar, além de também exercitar algum aspecto importante, diverte a criança e faz parte de seu universo.

É, meus pais desde sempre lutaram por mim, nunca pensaram em me largar e souberam muito bem balancear os momentos de brincadeiras e de exercícios.

Até mais,

bjo,

Carol

Situação chata na infância


Quando eu era pequena, adorava ficar com meu irmão e meus primos, era uma zona, muito bom! A gente brincava de Gato Mia, Marco Polo, brincava de Lego, jogava baralho, era só risada.

Mas esta situação só acontecia quando os meus pais ou a minha avó ficava conosco. Quando outras pessoas resolviam pegar todas as crianças, era um problema, para mim e para minha família. Porque algumas pessoas não me convidavam, pois não queriam ter mais trabalho, dar comida, levar ao banheiro e andar de mãos dadas.

Eu sofria muito, meus pais não sabiam com reagir e meu irmão sentia calado. Meu pai às vezes não deixava o Guga, achando que assim eu ia sofrer menos. É, eu realmente parava de chorar mais fácil, mas no fundo eu tinha consciência de que o problema não era com meu irmão, e sim comigo. Foram várias situações em que eu deixei de me divertir.

Aos poucos, fui tentando uma melhor forma de lidar com esta situação, lógico que com o apoio incondicional da minha família maravilhosa.

Acredito que quando se tem uma pessoa Portadora De Necessidades Especiais na família, todos os membros podiam dar apoio emocional aos pais e a criança. Como por exemplo, uma vez que vai levar todas as crianças para passear, levar esta que é Portadora De Necessidades Especiais, uma vez que ela também é criança.

Senti muito. Infelizmente não sei se eu sou capaz de perdoar, no entanto superei e aprendi, afinal aprendemos com todas as experiências da vida.

Até mais,

bjo,

Carol



O amanhã


Todo mundo sonha com o amanhã. Como vai ser? Será que vai conseguir tudo o que planeja? O que sonha?

Desejo que futuramente eu conquiste algumas coisas, como: ter a minha casa, ser reconhecida profissionalmente, continuar com o meu companheiro e com ele, realizar o meu maior sonho: ser mãe. Tenho mais um sonho, acho que este é o mais difícil, que meu filho tenha a mesma confiança, admiração e o mesmo orgulho que eu tenho dos dois grandes amores da minha vida, meu pai e minha mãe.

Não estou parada, esperando que os meus sonhos se realizem, sem que eu lute por eles. Luto por eles, e tenho força e ajuda de todos que estão ao meu redor, para tirar ou ultrapassar todos os obstáculos.

Estou hoje construindo o meu o amanhã. Sei que não vai ser igualzinho ao que eu imagino, mas espero que seja parecido!

Até mais,

bjo,

Carol

Voltando ao diagnóstico

No dia da revelação do diagnóstico, meu pai não estava presente, porque estava fazendo uma entrevista de emprego na Bahia, mais especificamente, em Feira de Santana.

Minha mãe que não segura a língua para nada, nem para as coisas boas, nem para as ruins, contou para meu pai, pelo telefone, o que o médico havia dito. Foi um choque, mas não sei de mais detalhes do momento. Sei apenas que ele não entendeu muito bem o porquê desse diagnóstico, já que eu não tinha sofrido nenhum acidente que justificasse um problema neurológico tão grave. O parto e suas possíveis conseqüências já estavam muito distantes.

Acho que é difícil para qualquer pessoa que não é da área médica fazer ligações entre um diagnóstico quase no final do primeiro ano de vida e o parto, que, até então, tinha ocorrido bem.

Não sei como resolveram procurar outro médico, quem o indicou, quais as opiniões que escutaram ou o que se passava na cabeça de meus pais, mas sei que não aceitaram o prognóstico dado pelo pediatra. Foram atrás de recursos para conhecer melhor o problema e assim me ajudar a evoluir.

Obrigada Deus, pois me deu os melhores pais do mundo.

Até mais,

bjo,

Carol

Ser independente é possível?



Independente é o que a pessoa acredita ser quando, faz dezoito anos, ganha seu próprio dinheiro e sai da casa dos pais, estamos sempre tentando nos tornar livres.

Ao nascermos somos totalmente dependentes da mãe, o bebê e a mãe nesse momento são um só. Com o tempo, a criança vai se tornando independente. Começamos então a nos virar sozinhos, ir ao banheiro, tomar banho, comer, ler, escrever, sair, dirigir, escolher, ter as próprias opiniões, fazer a sua carreira, construir a sua família, enfim fazer nossa própria história.

Mas vamos ser sempre dependentes, pois a todo tempo precisamos de alguém, seja mãe, pai, avós, sogros, amigos, colegas ou até mesmo um desconhecido. Não é possível viver plenamente independente, o outro é imprescindível nas nossas vidas.

Até mais,

bjo,

Carol

Pergunto-me: Por que não eu?

Eu escuto muitas pessoas que estão com algum problema, fazendo a seguinte pergunta, “por que isso aconteceu comigo?”. Será que essas pessoas já pararam para pensar nesta pergunta? Ou será apenas desespero, por não saber lidar com a situação?

Esta pergunta é na verdade muito egoísta, porque quem a faz, só está pensando em si mesmo, no seu próprio umbigo. O outro pode ter aquele mesmo problema, mas quem faz essa pergunta parece não poder passar por nenhuma dificuldade na vida. Essa pessoa não é capaz de olhar para os lados e pensar que todos somos iguais, não há uma pessoa mais ou menos especial. Todo ser humano está sujeito a sofrimento.

Eu posso falar com toda sinceridade: nunca me fiz essa pergunta. Vejo hoje que o meu problema é uma característica minha, sem ela, eu não seria Carolina Câmara De Oliveira. Isso não quer dizer que eu não sofra com essa característica, sofro, mas não é o fim do mundo e sou feliz.


Então me pergunto por que não eu?


Até mais,
bjo,
Carol

Primeira proibição na Faculdade de Psicologia (continuação)

Admitindo que eu assustasse mesmo a criança... e daí? Este teste era para ser aplicado em crianças normais, escolhidas por nós e seu objetivo era verificar nossa atuação durante a aplicação. Assim, as falhas que existissem deveriam ser trabalhadas. Ao me negarem o direito de aplicar o teste, negavam-me também o direito à aprendizagem. Além disso, a justificativa era a de que eu assustaria a criança e não os pais. Mas também fui proibida de fazer a entrevista com eles.
Pela minha resistência em aceitar tudo isso, o diretor da clínica psicológica lançou-me um desafio dizendo: me prove cientificamente que você não vai provocar alteração no teste da criança. Mais um equívoco muito comum em casos semelhantes ao meu: eu ter de provar que posso, que sei, que penso.
Mas ai, naquele momento, senti-me rendida. No dia da aplicação do teste, fiquei, mesmo discordando, na sala de espelho, sem som ou qualquer outra possibilidade de eu acompanhar o que estava acontecendo na sala de terapia. Foram três momentos de realização desse teste. Três dias em que fiquei atrás do espelho, sem poder participar de modo algum.

Até mais,
bjo,
Carol

Primeira proibição na Faculdade de Psicologia

No terceiro semestre, ainda, mais surpresas: proibiram-me de realizar um trabalho prático na disciplina Aplicação de Testes Infantis.
Sobre os motivos da proibição, se os professores que conduziram o caso tivessem chegado com explicações que ajudassem em minha formação, eu até poderia entender, mas da forma como foi, não deu.
O trabalho era para ser feito em duplas. A professora, no final da aula, chamou a mim e à minha colega que seria a minha dupla e falou que eu ia ficar atrás de um espelho, na sala do espelho, para não assustar a criança. Na hora, eu fiquei atônita, não estava entendendo muito e perguntei: como assim, assustar? A professora então deu o exemplo dela: ela é gorda e algumas crianças perguntavam pra ela porque era tão gorda.
Comentei que muitas crianças também já perguntaram para mim porque sou assim e ao responder tudo ficava bem. Diante de minhas tentativas de argumentar sobre sua determinação e sem contra-argumentos de sua parte que me fizessem entender a posição tomada, a professora falou que achava que ia ser difícil de eu entender, apesar de ser uma das mais inteligentes da sala.
Marcou, então, uma reunião com a coordenadora do curso. Nesta, os professores (sim, havia outros professores a defender a posição da titular da disciplina) resolveram mudar o argumento: o teste Wisc precisava de coordenação motora e a parceira da dupla precisaria de outra pessoa para ajudar e três pessoas numa sala com a criança seria demais. Saí da reunião convicta de que eles estavam certos. Concordei que três pessoas seria
m demais para a criança. Lembrei-me inclusive de minha própria experiência com muitos profissionais ao meu redor. A sensação era horrível, nunca gostei de ser exposta, nunca deixei que me expusessem. Saí de lá e conversei com minha mãe, dizendo-lhe o motivo de eu não aplicar o teste na criança. Minha mãe contou para sua terapeuta, que a fez ver que havia um problema nesta história. Havia muita discriminação e muito preconceito embutidos sutilmente nesta argumentação. Partiram do pressuposto de que eu não poderia manusear o material do teste, mas não pensaram anteriormente de que formas eu poderia manuseá-lo. Sabe-se teoricamente que um dos propósitos de uma educação inclusiva é garantir que a instituição educacional possa assegurar os direitos de todos os alunos aprenderem o que é necessário para sua formação. Não era isso que esta faculdade estava fazendo. Estava partindo de um pressuposto preconceituoso.
Conversando novamente com minha colega de dupla, vimos que os argumentos não tinham fundamento pedagógico e insistimos mais uma vez. Meus pais marcaram uma reunião com a diretora que não custou para atendê-
los e quando o fez foi apenas para dizer que sou uma menina mimada e que deveria entender os limites da vida. Mas continuamos a insistir e a verdadeira explicação veio mais tarde: a diretora reafirmou que minha presença poderia assustar a criança e isso traria alterações.

Até mais,
bjo,
Carol

Bebê imaginário

É no inicio da gravidez que começa uma relação imaginária da mãe com o feto. A mãe faz uma representação de um corpo imaginário, já desenvolvido, e não de embrião. A gestação é composta de relações, feita de emoções, traduzidos pelos neuromediadores maternais que vão passar a barreira placentária e tocar o feto e não são neutras: pode-se falar de nutriente afetivo (FABRE-GRENET, 1998).
O processo gestacional, pelas varias transformações que causa no corpo e no psiquismo da mãe favorecida pelas vivências corporais com o feto, pode algumas fantasias, regressões, sonhos que devem constituir-se, por si mesmos, numa vivência privilegiada facilitada pela própria gravidez (WOILER, 2006).
O bebê idealizado é construído durante a gestação, sendo o bebê dos sonhos diurnos e das expectativas, o produto do desejo de maternidade. A mãe tem que personificar o feto para posso, na hora do parto, não se encontre com alguém completamente estranho a ela (Brazelton e Cramer, 1992). A personificação do bebê vai acontecendo à medida que os pais escolhem o nome do bebê e suas roupas, e modificam a casa. Dar características aos movimentos fetais, personificar esses movimentos dizendo o que e como esse filho será, por exemplo, são formas de atribuir uma personalidade ao feto.
Para Soifer (1986) o pós-parto, ou puerperal é uma etapa de “delimitação entre o perdido – a gravidez – e o adquirido – o filho. Ocorre a delimitação entre devaneio, fantasia inconsciente e realidade. esta múltipla delimitação é feita por um processo de elaboração lenta e gradual, na qual as fantasias não são concretizadas. Segundo a autora o parto é o momento de separação entre dois seres que até então viviam juntos, um dentro do outro. Então é nesta hora que há a perda de um estado e passagem a outro.
Debray (1988) diz que tem uma distância entre o “bebê real” e o “bebê fantasioso”, gerando decepção para a mãe. O bebê fantasioso surge pelo fato da mãe ter pouco contato com o bebê real. Nos primeiros momentos após o parto, o bebê com as suas características, que auxiliar a mãe a desenvolver o sentimento de competência e confiança em si e assim cumprir seu papel. Então a distância entre bebê fantasmático sonhado durante a gravidez e o bebê real será menor, e as decepções naturais poderão ser aceitas sem muito sofrimento. Mas, mesmo quando o bebê real realiza as fantasias da mãe, há a possibilidade de nascer nela um movimento depressivo após o parto.
A mãe sempre imagina que seu filho vai ser perfeito. Ninguém deseja ter um filho Portador De Necessidades Especiais, porém isso acontece e aconteceu com os meus pais. Eles sofreram muito, mas felizmente meus pais me aceitaram e isso foi fundamental para o meu desenvolvimento e para a família. E hoje somos uma família feliz

Até mais,
bjo,
Carol

Eu na universidade

Meu primeiro ano na universidade foi muito bom. A faculdade mostrava-se preparada para me receber. Rapidamente me entrosei com um grupo que me ajudou muito. As salas eram todas localizadas próximas a um elevador ou no piso inferior, o que me facilitou a locomoção, feita a pé.
Mas, no decorrer dos anos, percebi que as necessidades atendidas eram apenas desta ordem. Outras questões aconteceram e foram por mim empurradas com a barriga. Digo isso, porque, pela direção da faculdade, eu deveria desistir da formação, apesar de meu rendimento de aprendizagem ser acima da média.
Vamos a alguns fatos. No terceiro período do curso, deparei-me com uma professora, na disciplina de Desenvolvimento Infantil, que, no dia da prova, virou-se para mim perguntando: Você quer que eu leia ou você sabe ler?
Não é tanto a primeira parte da pergunta que me afeta. Seria uma delicadeza de sua parte saber se era necessário me ajudar com a leitura, no que diz respeito ao manuseio do material. Mas a segunda parte – ou você sabe ler? – denota uma descrença da professora em minhas capacidades intelectuais. Uma discriminação sutil travestida de cuidado com o outro. Será que ela não imaginava que eu soubesse ler? Como eu teria entrado na faculdade onde ela leciona? É certo que qualquer pessoa pode prestar vestibular, basta comprovar o término do ensino médio. Mas entrar na faculdade não é para todos. A barreira é grande. E depois eu já estava no terceiro semestre!! Como teria chegado até aí, se eu não soubesse ler? Entendo hoje que esta professora começava ali a cruzada da faculdade contra minha formação, que eu ainda teimei um tempo em admitir.

Até mais,
bjo,
Carol

Escolha da minha profissão

Eu ontem a noite estava na varanda da minha casa, conversando com a minha mãe. Ela estava falando de como a Mariana (minha Irmã) está dedicada com a sua nova etapa da vida, e que agora está pensando em fazer Direito. Na hora eu falei : eita, que profissão chata.
Mas era profissão que eu queria quando estava no colegial e no cursinho, então prestei Direito para quase todas as faculdades, menos para uma, porque minha mãe me convenceu a tentar Psicologia, pois ela não gosta de advogados, que bom! Passei em Psicologia, fiquei feliz e decidi fazer a faculdade.
Hoje eu penso que besteira que eu ia fazer, Direito não tem nada a ver comigo. Eu amo a minha profissão e amo mais ainda a minha mãe e é graças a ela que eu estou no caminho certo. Valeu mãe, te amo.

Até mais,

bjo,
Carol

Resposta ao pediatra e a outras pessoas também

Talvez a besteira que minha mãe tenha feito foi acreditar na capacidade de um vegetal.

Hoje estou aqui, me movimentando em todos os sentidos. Eu ando, eu como, eu saio, eu escrevo (estou agora escrevendo!!), estudo, tenho uma profissão, eu amo, eu namoro, enfim, tenho uma vida plena e comum.

A propósito: acompanho a novela Viver a Vida que, por sinal, adoro. Manoel Carlos vem fazendo um trabalho legal em mostrar as reais dificuldades que um deficiente físico tem. Mas eu fiquei impressionada quando, por curiosidade,  fui ver se o blog da Luciana existia de fato e constatei que ele existe e é muito acessado pelas pessoas em geral, que deixam comentários em cada mensagem nova.

Embora a intenção do autor da novela seja a de fazer com que a população saiba mais sobre um problema real, os comentários são dirigidos aos personagens da ficção.  É louco pensar que damos vida a algo que não existe enquanto o que existe muitas vezes fica sem resposta.

Minha primeira intenção com este blog foi dar visibilidade à minha história real. O título do blog seguiu o título do meu livro que já está escrito há anos sem que tenha conseguido uma editora que o publicasse.  Portanto, Um sonho a mais não faz mal não é uma tentativa de cópia de Sonhos da Luciana, como escutei de algumas pessoas.

Aqui não tem nada de ficção. Só vida real. Alguém se interessa?

Até mais.

bj,

Carol

" As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem". Chico Buarque
 
Carolina - Um sonho a mais não faz mal
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