Eu na universidade

Meu primeiro ano na universidade foi muito bom. A faculdade mostrava-se preparada para me receber. Rapidamente me entrosei com um grupo que me ajudou muito. As salas eram todas localizadas próximas a um elevador ou no piso inferior, o que me facilitou a locomoção, feita a pé.
Mas, no decorrer dos anos, percebi que as necessidades atendidas eram apenas desta ordem. Outras questões aconteceram e foram por mim empurradas com a barriga. Digo isso, porque, pela direção da faculdade, eu deveria desistir da formação, apesar de meu rendimento de aprendizagem ser acima da média.
Vamos a alguns fatos. No terceiro período do curso, deparei-me com uma professora, na disciplina de Desenvolvimento Infantil, que, no dia da prova, virou-se para mim perguntando: Você quer que eu leia ou você sabe ler?
Não é tanto a primeira parte da pergunta que me afeta. Seria uma delicadeza de sua parte saber se era necessário me ajudar com a leitura, no que diz respeito ao manuseio do material. Mas a segunda parte – ou você sabe ler? – denota uma descrença da professora em minhas capacidades intelectuais. Uma discriminação sutil travestida de cuidado com o outro. Será que ela não imaginava que eu soubesse ler? Como eu teria entrado na faculdade onde ela leciona? É certo que qualquer pessoa pode prestar vestibular, basta comprovar o término do ensino médio. Mas entrar na faculdade não é para todos. A barreira é grande. E depois eu já estava no terceiro semestre!! Como teria chegado até aí, se eu não soubesse ler? Entendo hoje que esta professora começava ali a cruzada da faculdade contra minha formação, que eu ainda teimei um tempo em admitir.

Até mais,
bjo,
Carol

1 comentários:

debora

É Carol... sua jornada dentro da faculdade não foi fácil mesmo... mas como sempre, vc se superou e mostrou a todos o quanto é forte e o quanto merece tudo o que conquistou até hoje! E merece ainda muito mais. Te admiro muito e tenho muito orgulho em tê-la como amiga!
Espero estar sempre presente em todas as suas conquistas... e sempre que precisar de um ombro amigo, estarei aqui!
Companheiras sempre, certo?
Um grande beijo! Dé.

" As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem". Chico Buarque
 
Carolina - Um sonho a mais não faz mal
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