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Eu li a reportagem da mãe que matou filho de 11 anos. Ele era autista, por isso o menino era sacaneado na rua. A mãe não agüentava mais ver isso acontecendo e que agora ele estava em paz. O corpo da criança foi encontrado em um hotel, junto com a mãe, esta estava segurando a mão do filho. O site O Vida Mais Livre, http://migre.me/Jbh1, está fazendo a seguinte pergunta; você acha que ela deve ser condenada? Eu não consegui responder.
Acredito que essa mãe tinha uma grande dificuldade de lidar com o problema do filho, para ela doía muito vê-lo sendo sacaneado na rua, pois era uma ferida nela que nunca cicatrizava.
Volto a repetir, não sei se ela deve ser condenada, não tem como julgar uma situação dessa.
Este caso me chamou atenção.
Até mais,
bjo,
Carol
Assim, no meu segundo momento de vestibulares, foram cartas e cartas, encontros e desencontros, telefonemas e e-mails para diretores de faculdades e coordenadores de exames, explicando a minha necessidade de ter um escriba que conhecia as matérias. A primeira dúvida era sempre a mesma: mas uma pessoa conhecida e conhecedora das matérias vai fraudar o vestibular!! Em alguns momentos, achei que ia ser presa, tamanha era a força dessa afirmação. Explicações de meus pais, minha fono e minhas não faltaram para convencer as coordenações de que o que pedíamos era apenas uma igualdade de condições no vestibular em relação aos outros candidatos. Chegamos a dizer que podiam encher a sala de fiscais para observarem a realização da prova. Foi muito difícil de convencê-los, mas acabei fazendo o vestibular em todas elas.
O primeiro exame, desta segunda fase, foi o mais tenso. A faculdade, muito organizada, bonita e aparentemente preparada para receber deficientes (vaga exclusiva no estacionamento, rampa e elevadores para cadeirantes) demonstrou total despreparo para o acolhimento de candidatos com necessidades especiais a uma vaga em um de seus cursos. Embora tivéssemos acertado antes com a coordenação do vestibular a presença da escriba conhecida (com alguma facilidade até, é importante que se diga), na hora do exame, a senhora pedagoga (a mesma do vestibular anterior) apareceu na sala, com o excelentíssimo diretor da Faculdade, chamando minha escriba de canto para dar-lhe a seguinte ordem: saia da sala que eu assumirei seu lugar. É importante que Carolina não perceba sua saída!
Não perceber a saída de minha escriba! Eu, que estava me candidatando a uma vaga no curso de Direito não perceberia a ausência daquela que me ajudaria a escrever a prova? Que compreensão aquela senhora pedagoga e o excelentíssimo diretor da faculdade tinham de mim? Até hoje tenho muita raiva de pensar no assunto. Ali, não era eu a única considerada retardada, meus pais, minha fono, minha escriba, todos estávamos sendo considerados idiotas por essa faculdade. Será que eles realmente acharam que a ordem seria obedecida?
Imediatamente, a Aliandra (era esse o nome de minha escriba) me contou o que estava acontecendo e eu lhe disse para pegar o celular na minha bolsa e avisar meus pais que, àquela altura, já estavam fora da universidade.
Não deu nem cinco minutos e eu só vejo meu excelentíssimo pai, no hall da faculdade, gritando palavras como: Palhaçada! Palhaçada! Isto não passa de uma enganação, um engodo!! Nervoso, entrou na sala onde eu estava e me puxou com força da cadeira para que fôssemos embora. Foi aí que começou a gritaria. Estávamos no corredor e o diretor, a pedagoga e um superior a ambos tentavam acalmar meu pai, dizendo que foi um mal-entendimento de nossa parte. Foi aí que minha mãe também enlouqueceu e começou a chorar. Eu queria muito ir embora daí, pois odeio confusão. A certa altura, a senhora pedagoga disse que a culpa foi da Aliandra que não devia ter me alertado, pois eu nem perceberia a sua ausência. Aí foi a gota d’água. Mais gritos, mais choros e meu pai dizendo que ia processar aquela faculdade e divulgar para a imprensa o que estava ali acontecendo.
Era momento então de contemporização: o superior resolveu acalmar os ânimos, me abraçando e dizendo que eu faria a prova com a minha escriba. Voltei então à sala. Quando a prova chegou a senhora pedagoga sentou-se do meu lado e ainda pediu à Aliandra que estava do meu lado: dava para você se afastar um pouco?
Eu já estava exausta nesse momento e, numa troca de olhares, eu e Aliandra concordamos que ela se afastasse para que eu começasse a prova. Cínica e incompetente, esta senhora me ofereceu água e ao escutar minha resposta: não, obrigada... ela entendeu: está gelada? Que condições teria de fazer uma prova bem feita com esta senhora?
Mesmo com todos esses contratempos, fiz sim uma boa prova. Minha redação foi, inclusive, classificada entre as melhores daquele ano. Passei no vestibular de lá, mas jamais pensei em freqüentar aquela faculdade. Fomos sim, minha família lutar contra o preconceito que sofremos na justiça. Meu pai entrou com uma ação de danos morais contra aquela universidade. A tramitação do processo correu por um tempo, sem grandes avanços, porque era a nossa palavra contra a daquela instituição. O assunto morreu sem que houvesse nenhuma retratação da direção da faculdade.
Até mais,
bjo,
Carol
Os primeiros vestibulares, foram um teste para saber como seria depois. Hoje, percebo que não tinha nenhum amadurecimento para prestar aquele vestibular. Não estava preparada nem no aspecto acadêmico, nem no emocional.
Para realizar estes exames seria necessária também a presença de um escriba, caso contrário demoraria quase um dia inteiro para terminá-los. Enfrentar a situação de ter um outro escriba que não fosse a que me auxiliou durante o Ensino Médio, foi muito difícil. Tentar descobrir como me comunicar com alguém desconhecido na linguagem da química, da física e da matemática, que até para mim não era muito fácil, foi algo desgastante e cansativo.
Enquanto um vestibulando tem de se deparar com a prova e seus sentimentos unicamente, eu tinha de me deparar com isso e com um outro, com quem não tinha a menor intimidade e que, por vezes, achava que eu estava brincando de vestibular. Tipo café com leite. Isso aconteceu em praticamente todas as instituições em que prestei vestibular. Não vou dar nomes aos bois, mas quero deixar claro que foram faculdades renomadas de São Paulo. Não foi pequena a batalha que enfrentamos.
Os primeiros escribas que me foram designados eram excelentes pessoas, mas com total despreparo. Eles não sabiam nada sobre a matéria que eu estava lhe ditando.
Não é uma questão de me valer do conhecimento do outro para tirar vantagens na realização das questões. É apenas poder transmitir meu raciocínio sem ter de ensinar como o meu escriba deveria montar, por exemplo, uma equação. A tarefa aí fica duplicada e eu saio em desvantagem em relação aos outros concorrentes. Enquanto estes resolvem as questões, eu antes de resolvê-las tinha de, muitas vezes, ensinar como isso era feito para que meu escriba pudesse escrever adequadamente aquilo que eu lhe ditava. Se o vestibular fosse só da área de Humanas, esse problema não existiria. Mas o caso é que existe a área das exatas e a resolução de muitas questões passa por um conhecimento muito específico de símbolos desta linguagem que não é do conhecimento de todas as pessoas.
Um exemplos para ilustrar bem a situação. O estudante de Turismo, que foi um dos meus escribas, não conhecia a fórmula de velocidade na Física. Quando lhe ditei, para resolver uma questão: ‘DELTA V igual a DELTA S sobre DELTA T’, ele não sabia como registrar essa expressão no papel. Como então explicar-lhe o que era o Delta? Ou o V, o S, o T? E o significado do sobre? Desisti de tentar explicar que o Delta era um triângulo e que o sobre significava uma fração. Fica totalmente inviável ensinar passo a passo algo que precisa de um raciocínio maior. Ou eu bem resolvia a questão ou explicava a ele como registrar meu raciocínio no papel. As duas coisas juntas, nem pensar, ainda por cima, num momento de tensão, como é o vestibular.
Então para os próximos vestibulares, duas alternativas: ou eu virava uma expert em exatas a ponto de não me enrolar em resolver uma questão ao mesmo tempo em que explicava a matéria ao meu escriba ou eu tinha ao meu lado alguém que conhecia a matéria. Batalhamos pela segunda opção, já que Deus não me dotou de conhecimentos dessa grandeza.
Até mais,
bjo,
Carol
Eu e meu irmão sempre brincamos, mas também brigávamos muito.
Claro que eu, por motivos obvios, levava a pior na maioria das vezes. Ele me enchia de porrada, é lógico que eu tentava chutar, dava uns tapas, no entanto não eram fortes iguais ao dele.
A minha vingança vinha logo depois. Quando ele estava distraído, eu vinha por trás e aplicava o meu velho truque da gravata. Meu irmão, que sempre foi muito branco, ficava vermelho igual a um pimentão, mas não que ele tivesse sufocando, e sim de raiva! Bobeou outra vez!
Quando eu ia tentar tirar o braço, não conseguia, pois ele travava, eu ficava com medo que acontecesse algo.
Então a gente gritava para alguém vim ajudar, e lá vinha o meu pai, rindo da cara do Guga, ou minha mãe e tirava o meu braço.
Ficávamos bem, até a próxima briga!
Até mais,
bjo,
Carol
Como são as coisas! Eu li agora no blog http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/, o post “Uma menina de fibra!”. Conta a historia de uma pessoa que sofre da doença Fibrose Cística, esta torna toda secreção do organismo grossa, pegajosa, dificultando a saída delas e parece que a sobrevida mediana de 35 anos. Ela hoje é psicóloga, trabalha em uma multinacional, ama a vida e por isso tem uma força incrível. Segundo ela; “peguei este limão azedo, espremi com muita força, fé e coragem, e fiz uma bela limonada doce! Em vez de medo, crio forças diariamente. No lugar de desespero constante, uma esperança que se renova a cada segundo”.
Enquanto essa menina de fibra luta pela vida, eu vejo a esposa do meu tio, desistir da vida. Esta fumou a vida inteira, atualmente está com Câncer no pulmão, não para de fumar, toma vinho, o dia inteiro e chora que não quer morrer.
Eu fiquei pensando nestes dois casos, uma luta pela vida, a outra quer a vida, mas não quer lutar por ela. Algumas pessoas são fracas, pois não admitem o sofrimento, acham que não o merecem, são egoístas consigo mesmo e com os outros. Elas têm um sério problema, não aprenderam a lidar com a frustração quando criança. Nós desde que nascemos temos que aprender que a frustração existe, e devemos criar mecanismos para conviver com ela.
Através da frustração é que crescemos.
Até mais,
bjo,
Carol
“A escola inclusiva é aquela que valoriza a heterogeneidade do grupo como um desafio a criatividade e ao profissionalismo dos profissionais da educação, gerando e gerindo mudanças de mentalidades, de políticas e de práticas educativas.” (Isabel Sanches e Antônio Theodoro)
Email: carolinac.o@umsonhoamaisnaofazmal.com.br
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