Pista de ônibus

Eu tenho aula toda terça-feira e quinta-feira às 19 horas, lá na PUC da consolação. É um inferno o transito, levo mais o menos 1 hora e meia para chegar. Isso é comum aqui em São Paulo, mas não é normal. Estressa qualquer um!

Ontem eu e minha mãe paradas na consolação, eu olhei para a pista de ônibus e falei: mãe, deficiente físico deveria poder utilizar a pista, uma vez que os ônibus e as calçadas da cidade não ainda totalmente planejadas para o deficiente físico. Minha mãe adorou a ideia. O deficiente físico não tem escolha, ou usa carro, ou fica no sacrifício para pegar um ônibus. Eu estou com essa ideia, porque ouço muitas pessoas falando; ah, vou de ônibus, porque é mais rápido!

Meu pai e Gustavo foram me pegar, então eu cometei a minha idéia, toda feliz, mas fui reprovada, eles não se convenceram do porquê que o deficiente físico tem que usar a pista de ônibus.

Não custa tentar!

Até mais,

bjo,

Carol

Minha avó


Minha avó ficava muito atacada quando eu e meu irmão pegávamos seus materiais de costura. O ataque aumentou quando minha tia e seus filhos foram morar lá. Aí, éramos três: eu, meu irmão e meu primo, Mateus. Nessa época, já não morávamos lá, mas meus pais lá nos deixavam, na sexta-feira, à noite, quando saíam para se divertir. Fiquei muito amiga de meu primo e, juntos, deixávamos minha avó louca. Nós decidíamos que não íamos dormir, para poder brincar mais e ela, então, inventava que ia chamar a polícia, ou que o vizinho ia nos pegar. Detalhe: esse vizinho era um sujeito muito esquisito, ninguém gostava dele e ele fazia por merecer: não gostava de nada, fosse barulho ou gente. Morava só com a mulher. Quando minha avó dizia que ele vinha nos pegar, eu ficava em pânico, mas não parava de bagunçar ou, ainda, começava a chorar, pedindo-lhe para não chamar o vizinho nem a polícia. Avó também sabe ser ruim.

A

Contam histórias, levam para passear, brincam de cozinhar.

Fazem da vida um caça ao tesouro.

Dão carinho, cuidam, amam.

Colo igual aos seus não há.

Adoram ensinar coisas que ninguém mais tem paciência de explicar.

Suas casas cheiram a bolo, biscoito, pastéis.

Em cada canto, uma fantasia. É pura alegria.

Casa de vó é casa de boneca.

Pessoas iguais a elas não existem.

Vós são lindas.

Elas sabem viver.


Até mais,

bjo,

Carol

Domingo à noite

Estava ontem à noite eu, Mari, Luisa e a Laís na sala. Eu e Mari assistindo a reportagem sobre a sexualidade de deficientes no fantástico. Quando o psicólogo Fabiano, que é cadeirante começou a falar, a Luisa (13 anos) parou na hora de brincar com a Laís, e disse: olha, olha Carol!
Na hora eu olhei para Mari e demos risada.
Luisa deve ter pensando, que legal ele também deficiente e também é psicólogo!
Vou perguntar depois o que ela pensou!
Até mais,
bjo,
Carol

A espera de um milagre

Eu ontem vi no twitter que o Globo Repórter era sobre células-tronco. Entrei no blog da pessoa para ler, achei muito bom o que ele escreveu. Ele falou exatamente o que a gente ouve no dia seguinte, de um programa deste, ou diariamente, o porquê que não fazemos o tal tratamento ou então que um dia a nossa hora vai chegar!

O pessoal parece que fica mais incomodado com o nosso problema, do que nós mesmos. Eu sei que eles só querem ajudar, mas tenho a sensação que eles não me aceitam como eu sou!

Até a medicina encontrar um tratamento para que eu diminua os meus limites ao Máximo, a cura, eu e todos que me cercam têm que aprender a conviver com eles.

Por enquanto acho que é milagre. Não posso viver sonhando com um milagre, se não minha vida parar, mas o relógio não!

Bom final de semana!

Até mais,

bjo,

Carol

Ah! Felicidade...

Ser feliz é saber viver com as pessoas que estão ao nosso lado

É correr atrás do nosso objetivo, sem medo.

É aceitar o que somos, sabendo que, a cada dia, temos algo a aprender.

É ver a vida da melhor maneira possível.

É acordar todos os dias com a certeza

de que

hoje

vai ser melhor do que

ontem.


Até mais,

bjo,

Carol

Vencedor

Hoje é um dia especial, pois é aniversario do gordinho (meu pai). Eu admiro-o como ser humano, como pessoa, como homem, como marido e como pai.

Ele vive para a linda família que construiu junto com a minha mãe, que casal!

Meu pai é um lutador e como lutador é vencedor.

Em relação à mim, ele é capaz de mover céu e terra, procurando me cercar por todos os lados, para que nada de ruim aconteça comigo, me dando força e mostrando que eu também tenho que ter muita força. Sempre acreditando no meu potencial, me fazendo terminar o ensino médio e ingressar em uma universidade. Só posso dizer:obrigada pai.

Meu pai é um herói.

Meu pai é o meu herói

Até mais,

bjo,

Carol

Desejo

Outro dia na minha aula o professor estava falando sobre a relação do ser humano com o desejo. A gente está sempre desejando algo que não temos ou que queremos mais, nunca estamos satisfeitos com o que temos, procuramos a todo instante coisas novas. Quando realizamos nossos desejos, ao invés de ficarmos felizes, ficamos com um vazio e vamos logo à busca de outro desejo.

Quando entrei na faculdade, eu sonhava com o dia em que iria me formar, como ia ser lindo, o melhor dia da minha vida, e foi! Mas neste mesmo dia eu senti um vazio, e agora? Como vai ser? Já realizei o meu desejo, ele agora morreu. Eu fiquei de luto, sem rumo, porque vivi cinco anos com esse desejo. Tive que ir a procura de outro desejo. Hoje o meu desejo é arrumar um emprego e terminar a minha pós-graduação.

É o desejo que move o ser humano!

Até mais,

bjo,

Carol

Alfabetização

O CA, série da alfabetização, foi um período em que todas as pessoas ao meu redor estavam com uma certa tensão sobre como seria o meu desempenho. Posso estar generalizando, mas é a lembrança que tenho. Eu, criança, não tinha tensão nenhuma e me saí muito bem nessa fase. Houve problemas, sim, com a parte física, com o ato mecânico da escrita, mas eu aprendi a ler e escrever como qualquer pessoa que tenha acesso a essa aprendizagem.

Meus pais, com indicação da escola, fizeram um quadro com algumas linhas e o alfabeto todo em pecinhas imantadas. Isso, com certeza, ajudou-me a pensar em como a escrita se processa, mas não sei se deu certo para o que eles pretendiam, que era o ato de escrever. Eles continuaram pensando em mais coisas, como, por exemplo, minha mãe e a professora segurarem minha mão no momento em que eu ia escrever. Minha mão, às vezes, ficava dura e minha mãe brigava comigo por isso, como se eu estivesse endurecendo de propósito.

Hoje, leio e escrevo com as dificuldades normais que cada livro, texto ou assunto requerem. Quanto ao aspecto motor, encontrei meus modos particulares de adaptação a essas atividades.

Até mais,

bjo,

Carol

" As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem". Chico Buarque
 
Carolina - Um sonho a mais não faz mal
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