Alfabetização

O CA, série da alfabetização, foi um período em que todas as pessoas ao meu redor estavam com uma certa tensão sobre como seria o meu desempenho. Posso estar generalizando, mas é a lembrança que tenho. Eu, criança, não tinha tensão nenhuma e me saí muito bem nessa fase. Houve problemas, sim, com a parte física, com o ato mecânico da escrita, mas eu aprendi a ler e escrever como qualquer pessoa que tenha acesso a essa aprendizagem.

Meus pais, com indicação da escola, fizeram um quadro com algumas linhas e o alfabeto todo em pecinhas imantadas. Isso, com certeza, ajudou-me a pensar em como a escrita se processa, mas não sei se deu certo para o que eles pretendiam, que era o ato de escrever. Eles continuaram pensando em mais coisas, como, por exemplo, minha mãe e a professora segurarem minha mão no momento em que eu ia escrever. Minha mão, às vezes, ficava dura e minha mãe brigava comigo por isso, como se eu estivesse endurecendo de propósito.

Hoje, leio e escrevo com as dificuldades normais que cada livro, texto ou assunto requerem. Quanto ao aspecto motor, encontrei meus modos particulares de adaptação a essas atividades.

Até mais,

bjo,

Carol

Uma pequena adaptação

Eu sempre peço para a Mariana ler o meu blog, para ver os meus erros, pois quero escrever na velocidade que penso e ai acontecem alguns errinhos feios.

Conversa vai conversa vem, ela me perguntou se já contei como digito e que era interessante falar sobre.

A vida inteira meu pai correu atrás de adaptadores para eu usar melhor o computador. Então eu já tive de tudo: teclado enorme, separador de teclas (muito bom), diversos mouses, enfim conheço todos. Uns acho muito úteis e outros, dinheiro jogado fora. Meu pai queria uma coisa super, mega avançada, para que eu pudesse mexer o mais rápido possível, ele tentouuu!

Certo dia, meu irmão esqueceu-se de trocar o mouse dele pelo meu, que é mais devagar, e colocar o separador de teclas no teclado, e naquele momento não tinha ninguém para me ajudar. Tentei usar o mouse com a mão, não deu, porque a seta corria de um lado para outro, impossível! Olhei para o meu pé e pensei, será? Então botei o mouse no chão. E não é que deu certo! Eu ia muito mais rápido. Nunca mais usei o meu mouse adaptado. Com o tempo, mudamos de computador, descobri o teclado virtual. Então vi que eu escrevia muito mais rápido. Atualmente posso usar qualquer computador, é só colocar o mouse chão e pronto.

Meu pai se deu por satisfeito, viu que eu fazia tudo sem sacrifício.

E é assim, hoje eu faço pequenas adaptações, usando a minha criatividade, para eu fique o menos dependente.

Até mais,

bjo,

Carol

Aprendendo a viver com limites

   

Eu estou ultimamente lendo muitos blogs, todos eles são de pessoas que sofreram acidente e estão hoje em uma cadeira de rodas. Estou aprendendo com as experiências deles. Tem um blog em especial que eu leio todos os dias e me emociono, me anima e me identifico. Trata-se do blog de Flávia Cintra. Dentre tantas coisas que ela faz, uma delas me atrai muito, porque é o que penso que poderia fazer muito bem: trabalhar na consultoria que direciona pessoas com deficiência para o mercado de trabalho.

Parece-me que todos conseguiram, com o tempo, superar as barreiras que foram impostas de repete. Essas pessoas de um dia para outro tiveram que reaprender a viver com a nova realidade. O que antes era simples e possível de se fazer sozinho, hoje já não é tão simples assim e precisa, na maioria das vezes, do auxílio do outro. É uma tarefa difícil.

Nasci portadora de necessidade especial; desde então eu sei que sempre vou depender do outro para várias tarefas do dia-a-dia e que tenho de ir aos poucos conquistando o meu espaço. Meus pais me ensinaram muitas dessas coisas que hoje fazem parte de mim.

A minha diferença em relação aos que adquiriram uma limitação, é que eu não mudei a minha realidade. Desde que nasci, ela estava dada: como disse, necessitava da ajuda de outros, sempre. Mas, os que sofreram acidentes e adquiriram uma deficiência limitante, tiveram de mudar suas realidades. E isso é muito mais doloroso.

Admiro todas essas pessoas, a força, a garra e o amor pela vida.

Até mais,

bjo,

Carol

Inclusão


Inclusão é o termo que está na moda. Todo mundo fala sobre inclusão, mas será que todos sabem o que é isso? Será que é uma coisa fácil de fazer?
Eu vejo que muita gente pensa que inclusão é tratar todas as pessoas da mesma forma, igual. No entanto essa ideia está equivocada, pois não existe um ser humano igual ao outro, não podemos cozinhar o arroz da mesma forma que cozinhamos o feijão, cada um desses alimentos precisam ser preparado de um jeito, se não vai ficar horrível. Assim também acontece com as pessoas, cada uma tem uma necessidade. Uma criança precisa de ajuda para escrever, já a outra precisa de ajuda para resolver os problemas de matemática.
Não adianta a gente ficar falando que somos todos iguais, porque somos muito diferentes.
A inclusão é aceitar as diferenças, ajudar o outro no que ele necessita, pensar em ambiente em que todos possam usar e o mais importante fazer a integração, pois uma não vivemos sozinhos.
Até mais,
bjo,
Carol

Paixão à primeira vista


Logo que eu comecei a fazer tratamento, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, não paravam de chorar, chorava durante todas as sessões. Elas junto a minha mãe tentavam de tudo. Até que um dia minha fono teve uma brilhante ideia, me dá CHOCOLATE, então ela me deu Língua De Gato da Kopenhagen, que delicia! Nunca mais chorei

Foi paixão a primeira vista!

A paixão continua até hoje, nunca deixo de comer um depois do almoço. Não fico nenhum dia sem chocolate.

Até mais,

bjo,

Carol

Uma chance!

Eu estou há um ano e quatro meses formada, e ate agora não conseguir nenhum emprego. Tudo bem que a minha área é difícil, varias amigas também ainda não conseguiram emprego.

Mas para mim a situação é mais complicada, claro, pois além de ser Psicóloga, sou portadora de necessidade especial, Paralisia Cerebral, que carma! Coisas assim não é muito comum de vê, porém é possível, tanto é que estou aqui.

Ouço muita falar que eu deveria ter feito Direito, ai eu falo: é, mas agora é tarde, já sou apaixonada pela minha profissão.

Bom voltando ao assunto emprego, arrumar um emprego está complicado. Quando me para alguma entrevista é sempre cômico para não dizer trágico. Eu vou com aquela expectativa, no entanto ela logo vai embora. Porque logo no inicio da entrevista, eu percebo que o entrevistador não leu o meu currículo. Como foi na ultima entrevista em que fiz, o encontro durou mais ou menos 5 minutos, eram duas pessoas me entrevistando. Começou com elas falando que eu estava concorrendo a uma vaga de caixa, em seguida pediram para eu falar um pouco sobre mim, de cara falei que eu era Psicóloga, a expressão do rosto delas mudaram, tomaram um susto. Comentei também sobre as minhas limitações e meus objetivos profissionais. Então uma das entrevistadoras falou que até o fim da semana ia me ligar.

É claro que essa e todas as outras entrevistas em que fui chamada, foi porque as empresas precisavam de pessoas com necessidades especiais para completa a bendita conta. Eu vejo que as pessoas não têm menor cuidado, interesse de lê o currículo, para saber se a pessoa tem condição, saber o objetivo do candidato, enfim conhecer-lo um pouco antes de chama. mas as empresas só querem cumprir com a lei e fazem tudo errado.

Eu como Psicóloga aprendo muito nessas minhas entrevistas, percebi que tenho muito que fazer, um mercado muito grande no qual eu posso e devo trabalhar. Preciso apenas de uma chance.

Ah, o fim da semana já acabou faz tempo e ainda não me ligaram!

Até mais,

bjo,

Carol

Briga de criança

O início de minha vida escolar foi na escolinha do prédio onde eu morava e marcado por experiências nada pedagógicas. Pensando bem, até houve uma certa aprendizagem.

Eu tinha um coleguinha, de nome André, que adorava me bater sem motivo aparente, aliás, até hoje não sei o porquê de tanta bolacha (em São Paulo, eu teria de dizer porrada, mas como sou carioca...). Não lembro do que sentia e nem das cenas de violência. Minha mãe, minha avó, todos ainda lembram e falam desse bendito colega, mas eu o apaguei da memória. O que vou contar é fruto das histórias que me contam sobre essa época.

Um belo dia, meu irmão, que sabia de todas as histórias entre mim e esse garoto, resolveu dar-lhe uma lição. Pegou a chave da dispensa de limpeza do prédio e o trancou lá. Vale a pena lembrar que a escolinha era dentro do condomínio onde morávamos. A professora demorou para dar falta da criança que, quando foi libertada, estava aos berros. Sua mãe, que era amiga da minha, entendeu as razões de Gustavo e não ligou para o fato.

Mas foi somente depois de um outro episódio que André passou a me respeitar. Certo dia, em aula, estando distraído, travei meu braço em seu pescoço, dando-lhe um golpe mais conhecido como gravata. A professora permitiu até um certo momento, pois, como disse à minha mãe depois, ficou feliz com a minha atitude.

Pude então aprender a me defender e impor respeito.


Até mais,

bjo,

Carol

Mariana



Mariana foi a primeira boneca com que brinquei. E brinco até hoje. Para mim é como se fosse uma filha.

Copo de leite brotando da terra,

tem asas no pensamento.

Está sempre nas nuvens.

Nuvem como algodão doce.

Dócil que é.

Cheia de luz, Mariana agrega

Em pura harmonia.

Hoje é seu aniversário, está fazendo 18 anos. Quero que ela seja muito feliz! Aproveite bastante a vida e realize todos os seus sonhos. Estou torcendo por você! Tenho orgulho de ter você como irmã. Te amo!

Até mais,

bjo,

Carol

" As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem". Chico Buarque
 
Carolina - Um sonho a mais não faz mal
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